Rubriche
Extraído do número12 - 2003
Curtas de 30Dias
ANGELO SODANO
A legítima defesa não se nega a ninguém

Angelo Sodano
João Paulo II:
“As minhas saudações e bons votos ao presidente Yasser Arafat e a todo o povo palestino”

A delegação palestina na audiência com o Papa em 10 de novembro de 2003

Palestinos atravessam o muro divisório
Pontes, e não muros
Com este título o LOsservatore Romano de 17-18 de novembro sintetizava um dos apelos mais veementes feitos pelo Papa para implorar a paz no Oriente Médio. "A construção de um muro entre o povo israelense e os palestinos é visto por muitos como um novo obstáculo ao caminho em direção a uma convivência pacífica. Na realidade, a Terra Santa não precisa de muros, mas de pontes! Sem a reconciliação das almas, não pode haver paz". Palavras do Papa no Angelus do domingo, 16 de novembro.
Papa/2
O Dalai Lama no Vaticano pela sétima vez
No dia 28 de novembro o Papa recebeu em audiência o Dalai Lama. Foi a sétima visita do líder religioso a João Paulo II no Vaticano. Assim como aconteceu em 1996, a audiência não foi anunciada pelo Boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé nem foi publicada no LOsservatore Romano (como tinha acontecido nas audiências de 1980, 1982, 1988 e 1990). Porém, dessa vez houve uma breve declaração do porta-voz do Vaticano, Joaquín Navarro-Valls: "Trata-se de uma visita de cortesia, de conteúdo exclusivamente religioso".
O encontro entre o Papa e o Dalai Lama de 28 de outubro de 1999 não foi oficializado formalmente mas, nesse último caso, o jornal da Santa Sé evidenciou, também com fotografias, o fato de que o Dalai Lama participara com o Papa na Assembléia Inter-Religiosa realizada na Praça de São Pedro sobre o tema "No limiar do terceiro milênio: colaboração entre as várias religiões".
Oriente Médio/1
Tullia Zevi: "Algumas vezes a Diáspora deve lembrar a Israel a tolerância"
"Lembro-me de uma carta aberta que Primo Levi publicou no jornal La Repubblica em 1982 no tempo da guerra no Líbano. Levi pedia para que Israel se retirasse. Tinha acompanhado com atenção a volta à Terra dos Pais e o nascimento do Estado de Israel, que também havia visitado. Naquela ocasião escreveu que há momentos em que a Diáspora deve temporariamente recordar aos irmãos de Israel a antiga virtude da tolerância. Palestinos e israelenses estão destinados não condenados a conviver". Palavras de Tullia Zevi, expoente da comunidade judaica italiana, em uma entrevista publicada no La Repubblica de 22 de novembro.
Oriente Médio/2
Tayyip Erdogan: "Também entre judeus e cristãos houve terroristas"
"O fato de que alguns terroristas envolvidos nesses horrendos atentados sejam muçulmanos não quer dizer absolutamente que o islã esteja comprometido com o terrorismo. Houve terroristas cristãos e terroristas judeus, mas os valores das três grandes religiões monoteístas não podem de nenhum modo ser confundidos com as ações individuais". Palavras do primeiro-ministro turco Tayyip Erdogan, em uma entrevista ao jornal Corriere della Sera de 26 de novembro, comentando os trágicos atentados que atingiram sua pátria nos últimos meses.
Cardeais/1
Tauran nomeado arquivista e bibliotecário de Santa Romana Igreja
No dia 24 de novembro o novo cardeal Jean-Louis Tauran, 60 anos, que desde dezembro de 1990 até hoje foi o "Ministro do Exterior" vaticano, foi nomeado arquivista e bibliotecário da Santa Romana Igreja no lugar do cardeal argentino Jorge María Mejía, que completou 80 anos em 31 de janeiro passado. O jornal católico francês La Croix lançou a hipótese de que essa nomeação de Tauran seja "de caráter provisório... na espera de responsabilidades mais importantes".
Cardeais/2
Os 80 anos de Shan, Taofinuu e Clancy
No dia 3 de dezembro completou 80 anos o cardeal jesuíta Paul Shan Kuo-hsi, bispo de Kaohsiung (Taiwan) desde 1991. Em 8 de dezembro também fez 80 anos Pio Taofinuu, arcebispo emérito de Samoa-Apia, nomeado cardeal por Paulo VI em 1973. Em 13 de dezembro também faz 80 anos Edward Bede Clancy, arcebispo emérito de Sydney. Portanto, no final do ano diminui o peso dos cardeais asiáticos (de 13 a 12) e oceânicos (de 5 a 3) entre os purpurados eleitores em um eventual Conclave.
Cardeais/3
Civiltà Cattolica: o nome do cardeal in pectore poderia ser o do bispo de Hong Kong
No último consistório o Papa anunciou que criara um cardeal in pectore do qual não revelou o nome. A mídia se agitou para tentar individuar quem poderia ser o eclesiástico em questão. Porém, convém lembrar que La Civiltà Cattolica de 1 de novembro publicou um artigo sobre o consistório escrito pelo padre Giovanni Marchesi, no qual se lê: "Segundo vários observadores vaticanos, o nome do cardeal in pectore poderia ser o do bispo de Hong Kong, dom Joseph Zen Ze-kiun". A revista dos jesuítas italianos usa o condicional, mas é preciso lembrar que a minuta da Civiltà Cattolica é revista pela Secretaria de Estado vaticana e que em nenhuma das reportagens escritas sobre os dois consistórios precedentes em que João Paulo II criara cardeais in pectore os de 1979 e de 1998 a revista fizera alguma hipótese de prováveis nomes.
La Repubblica
Camillo Ruini "capelão", e "inteligente" editorial de Eugenio Scalfari
"Na realidade Ruini falou mais como capelão da Itália do que como bispo pastor; de resto era inevitável que assumisse esse papel no momento em que celebrava a missa fúnebre pelos jovens soldados mortos no cumprimento de um dever militar. Não voltaremos atrás, mas não odiaremos: só fala assim, usando a primeira pessoa do plural, um sacerdote que indica aos seus fiéis uma tarefa de moral religiosa ou um capelão chamado para apoiar religiosamente divisões militares em ação, mantendo viva neles a pietas cristã para com um próximo que ameaça guerra e destruição". Palavras de Eugenio Scalfari no editorial de La Repubblica de 20 de novembro, comentando a homilia do cardeal vigário Camillo Ruini, por ocasião dos funerais dos carabinieri, militares e civis vítimas do atentado em Nassíria. Camillo Ruini, no decorrer de uma entrevista à imprensa realizada no mesmo dia, fez uma referência às palavras de Scalfari julgando-as "inteligentes".
Corriere della Sera
Levi: a fé, um ato de Graça
Diálogo à distância nas páginas do Corriere della Sera_ entre Vittorio Messori e Arrigo Levi, sobre a fé leiga e a religiosa. Apresentamos a parte final da contribuição de Arrigo Levi, publicada em 25 de novembro, na qual o respeitável jornalista e ensaísta comenta, entre outras coisas, o primeiro versículo do capítulo XI da Carta aos Hebreus: "Qualquer que seja a definição de Fé: substância, certeza, ou fundamento de coisas que esperamos, e ao mesmo tempo assunto, demonstração, ou prova (evidence) de coisas que não vemos, acho essa definição não apenas belíssima e convincente, mas perfeita (há tempos eu me debatia neste ponto) para esclarecer, ao menos para mim, o que há em comum entre a fé religiosa de muitos amigos meus e companheiros de caminho, e a minha fé leiga: essa também, infelizmente, substância de coisas esperadas e prova de coisas ainda não vistas, que esperamos que aconteçam. Todavia Santo Tomás erra exagerando, como bom aristotélico, as certezas da Razão quando sustenta que a definição paulina distingue a fé religiosa "da ciência e do intelecto, nos quais algo se torna aparente. As duas fés, sobre as quais refleti por muito tempo, têm o mesmo direito de se chamarem "fés": unidas pela esperança, assim como pela dúvida vencida, e pelo reencontrar-se no final dos tempos igualmente incausadas e indemonstráveis, ambas filhas de um ato de Graça".
Cúria
Novos secretários da Educação Católica, dos Leigos e das Comunicações Sociais
No dia 25 de novembro o padre Michael Miller, 57 anos, de Ottawa, Canadá, foi eleito arcebispo e nomeado secretário da Congregação para a Educação Católica no lugar do jesuíta Giuseppe Pittau, que completou 75 anos em 20 de outubro. Miller, que pertence à Congregação religiosa de São Basílio, é sacerdote desde 1965 e obteve a licença (1976) e o doutorado (1979) em Teologia Dogmática na Pontifícia Universidade Gregoriana. Entre os anos 1992 e 1997 trabalhou junto à primeira seção da Secretaria de Estado e desde 1997 era presidente da Universidade de S. Tomás em Houston, no Texas (EUA).
Também no dia 25 de novembro dom Josef Clemens foi eleito bispo e nomeado secretário do Pontifício Conselho para os Leigos no lugar de Stanislaw Rylko, que em 4 de outubro foi promovido a presidente do mesmo dicastério. Em 12 de fevereiro passado, dom Clemens, 55 anos, tinha sido nomeado subsecretário da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica. Antes disso trabalhou por 19 anos na Congregação para a Doutrina da Fé como secretário particular do cardeal prefeito Joseph Ratzinger. Originário da diocese de Paderborn, em 1975 Clemens foi ordenado sacerdote em Roma, na Igreja de Santo Inácio, e no ano seguinte obteve a licença em teologia na Gregoriana, tendo como orientador o padre Maurizio Flick e como tema: "O mundo teológico em Hans Küng. Infalível? Uma pergunta".
Em 29 de novembro dom Renato Boccardo foi eleito bispo e nomeado secretário do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais. Boccardo, piemontês, 51 anos em 21 de dezembro, assume o lugar de outro conterrâneo, Pierfranco Pastore, que completou 75 anos em abril do ano passado. O novo secretário, sacerdote da diocese de Susa desde 1977, em 1982 entrou para o serviço diplomático vaticano, prestando serviço nas nunciaturas da Bolívia, Camarões e França. Em 1988 tornou-se mestre de cerimônias pontifício e em 1992 chefe do setor da seção jovem do Pontifício Conselho para os Leigos. Desde fevereiro de 2001 era chefe do protocolo com encargos especiais da Secretaria de Estado com a responsabilidade de organizar as viagens pontifícias. Responsabilidade que manteve também durante o novo cargo.
Enfim em 5 de novembro, dom Giovanni Carrù, pároco da catedral de Chieri, perto de Turim, foi nomeado subsecretário da Congregação para o Clero. Carrù foi secretário geral do Sínodo diocesano realizado de 1984 a 1987 com o cardeal Giovanni Saldarini, na época arcebispo de Turim.
Opus Dei
Primeiro bispo na África, nomeações no Peru
No dia 15 de novembro Anthony Muheria, 40 anos, do clero do Opus Dei, foi nomeado bispo de Embu, no Quênia. Muheria, que antes de se tornar sacerdote trabalhou por cinco anos como engenheiro civil, é o primeiro bispo do Opus Dei na África.
No dia 29 de novembro foram apresentadas uma série de importantes nomeações no Peru: com efeito, foram nomeados os novos arcebispos de Arequipa e Cuzco. Para Arequipa foi nomeado José Paulino Ríos Reynoso, 59 anos, desde 1995 arcebispo de Huancayo, que assume o lugar de Luis Sanchez-Moreno Lira, 78 anos, do clero do Opus Dei. Para guiar a arquidiocese de Cuzco foi chamado Juan Antonio Ugarte Pérez, 65 anos, do clero do Opus Dei, desde 1997 bispo prelado de Yauyos, que assume o lugar do demissionário Alcides Mendoza Castro, 75 anos completados em março passado. Portanto, restam dois (dos sete) arcebispos peruanos do Opus Dei: além de Ugarte Pérez, há o cardeal de Lima, Juan Luis Cipriani Thorne.
Segundo os dados apresentados pelo Anuário Pontifício de 2003, Cuzco é, depois de Lima, a segunda arquidiocese do Peru em número de fiéis e de sacerdotes e é a primeira em número de seminaristas.
EUA
Burke arcebispo de Saint Louis
No dia 2 de dezembro Raymond Leo Burke, 55 anos, foi nomeado arcebispo de Saint Louis, uma das metrópoles americanas de tradição cardinalícia. Burke, ordenado sacerdote em Roma em 1975, formou-se em Direito Canônico na Pontifícia Universidade Gregoriana em 1984 e recebeu o encargo de defensor do vínculo junto ao Supremo Tribunal da Signatura Apostólica de 1989 a 1994, quando foi nomeado bispo da sua diocese de origem: La Crosse, em Wisconsin.
Diplomacia/1
Novos núncios: um alemão, pela primeira vez, na Alemanha. Italianos em Ruanda e Catar
No dia 25 de novembro o arcebispo alemão Erwin Josef Ender, 66 anos, foi nomeado núncio em Berlim. Trata-se de uma nomeação inesperada porque é a primeira vez que é enviado à Alemanha um representante pontifício do mesmo país. Com efeito, é praxe consolidada da diplomacia vaticana não enviar núncios do mesmo país onde devem realizar a sua missão (com duas exceções: a Itália e desde 1989 a Polônia). Ender, nascido nos territórios alemães que depois da guerra foram entregues à Polônia, é sacerdote desde 1965 pela diocese de Münster. Faz parte do serviço diplomático da Santa Sé desde 1970, por 20 anos trabalhou na primeira seção da Secretaria de Estado, até que em 1990 foi promovido a arcebispo e pró-núncio no Sudão. Em 1997 foi nomeado núncio dos Países Bálticos (Lituânia, Letônia e Estônia) e desde 2001 era representante pontifício na República Tcheca.
Em 29 de novembro, dom Anselmo Guido Pecorari, 57 anos, de Mântua, foi eleito arcebispo e nomeado núncio apostólico em Ruanda. Pecorari, sacerdote desde 1970, entrou para a diplomacia vaticana em 1980 e trabalhou na nunciatura da Libéria, na Secretaria de Estado, nas representações pontifícias da Espanha, Irlanda e, por último, Eslovênia.
Ainda em 29 de novembro o arcebispo Giovanni De Andrea foi nomeado também núncio em Catar, Estado com o qual a Santa Sé estabeleceu relações diplomáticas em novembro do ano passado. De Andrea, piemontês, 73 anos, já foi núncio apostólico em Kuwait, Bahrein, Iêmen e delegado apostólico na Península Arábica.
Diplomacia/2
Acordos da Santa Sé com Brandeburg e Bremen
Antes de chegar a Roma, em 24 de novembro, como novo "Ministro do Exterior" vaticano, o arcebispo Giovanni Lajolo assinou, na qualidade de núncio da Alemanha, dois Acordos Diplomáticos entre a Santa Sé e os Estados alemães. O primeiro em Potsdam, em 12 de novembro, com o Estado de Brandeburg; o segundo em Bremen, em 21 de novembro, com a homônima "Libera Città Anseatica". Portanto, nos seus oito anos como núncio na Alemanha assinou acordos entre a Santa Sé e quase todos os Estados da ex-República Democrática. De fato, além do realizado com Brandeburg, concluiu as negociações com a Saxônia (1996), a Turíngia (1997), o Macklemburg-Pomerânia anterior (1997) e a Saxônia-Anhalt (1998). Falta somente um acordo com a Cidade Estado de Berlim.
Livros/1
Il paradiso è altrove
"Não fui eu quem descobriu e nem o primeiro a dizer: os que queriam fazer da terra um paraíso, fizeram dela um inferno". Palavras do escritor peruano Mario Vargas Llosa em uma entrevista publicada no Corriere della Sera de 22 de novembro, em relação ao seu último livro lançado na Itália, intitulado Il paradiso è altrove, que através das histórias de Gauguin e da militante socialista Flora Tristán, a avó do pintor, interroga-se sobre a utopia.
Livros/2
O cardeal Arinze visto de perto
Àuem quiser conhecer melhor a figura do cardeal Francis Arinze, desde outubro do ano passado prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, não pode deixar de ler Gods invisible hand (Paulines Publications Africa). Trata-se de um livro-entrevista organizado pelo jornalista Gerard OConnell, correspondente junto ao Vaticano da agência asiática Uca News, que repercorre de maneira aprofundada a vida do cardeal desde a sua infância na Nigéria à sua vocação influenciada pelo beato Cyprian Michael Iwene Tansi, da sua participação como jovem auxiliar na última sessão do Concílio Vaticano II à sua experiência como bispo na África, até os seus mais de 20 anos de atividades na Cúria Romana.
Livros/3
Ivan Merz. O jovem beato da Bósnia
Ivan Merz é o jovem leigo beatificado por João Paulo II durante a sua rápida viagem a Banja Luka em 22 de junho passado. A este expoente do laicado católico croata, com seu pai não praticante e sua mãe de origens judaicas, os Quaderni dellOsservatore Romano dedicaram um pequeno livro (Ivan Mertz. Un programma di vita e di azione cattolica per i giovanni di oggi), organizado por Giampaolo Mattei, jornalista do jornal da Santa Sé. O livro foi apresentado em 8 de novembro pelo cardeal Crescenzio Sepe e pela cúpula do episcopado croata.