Rubriche
Extraído do número09 - 2003



Papa/1
Anunciado o tema do Dia Mundial da Paz 2004
åO direito internacional, um caminho para a paz". Este é o tema escolhido para o XXXVII Dia Mundial da Paz, que será celebrado no dia 1� de janeiro de 2004. A notícia foi dada no dia 17 de julho na Sala de Imprensa da Santa Sé.


Papa/2
Audiência para a entrega do Prêmio internacional "Paulo VI"
No dia 5 de julho o Papa recebeu em audiência os participantes na entrega do Prêmio internacional "Paulo VI" ao filósofo francês Paul Ricoeur. Na ocasião o Papa pronunciou um discurso no qual, depois de ter cumprimentado as personalidades (entre as quais os cardeais Giovanni Battista Re e Paul Poupard) e os "responsáveis pelo Instituto ‘Paulo VI’, começando pelo seu presidente, o senhor Giuseppe Camadini", renovou a sua consideração pelas iniciativas promovidas por essa benemérita instituição, que contribui para manter viva, na Igreja e no coração dos homens de boa vontade, a gratidão a esse grande Papa".
Depois acrescentou, "a sua sentida memória permanece cada vez mais viva e enraizada na alma das pessoas. Paulo VI sentiu profundamente as inquietações e as esperanças do seu tempo, esforçando-se em compreender as experiências de seus contemporâneos e iluminando-as com a luz da mensagem cristã. Ele indicou-lhes a fonte da verdade em Cristo, o único Redentor, manancial da verdadeira alegria e da paz autêntica".


Guerra e Paz/1
Bush, Baker e os milagres
Bush pede ajuda a Baker, o velho amigo de seu pai. Este é o título publicado no Corriere della Sera de uma notícia já apresentada no Washington Post segundo a qual o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, teria solicitado a James Baker, ex-Secretário de Estado americano, para que aceitasse o cargo de tesoureiro no Iraque. Eis o início do artigo: "George W. Bush espera que James Baker repita o milagre de 2000: assim como o salvou da derrota das eleições recorrendo à Corte Suprema dos Estados Unidos, da mesma forma poderia salvá-lo do desastre do Iraque". Também é interessante a conclusão do artigo: "Os críticos sustentam que o que Bush mais precisa não é de uma mudança de homens, mas de política. Convidam-no para que aceite uma resolução da ONU que permita também à França e aos países do Terceiro Mundo, como a Índia, participar na reconstrução [do Iraque, ndr]. Se Baker conseguir persuadi-lo nessas intenções também será um milagre".


GUERRA E PAZ/2
O governo do Sudão escreve ao Papa

"Com uma carta ao Papa e ao primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, o governo do Sudão manifesta o desejo da acabar com o terrível conflito que dura há mais de 20 anos entre o norte muçulmano e o sul cristão e animista". A notícia foi dada pelo Avvenire de 8 de julho.


EUA e Europa
Distinguir César de Deus
No jornal La Stampa de 21 de julho, Enzo Bianchi, prior de Bose, analisa em um longo artigo intitulado Iraque, depois da guerra o Apocalipse o entrelaçamento da religião com a política nos Estados Unidos: "Aquilo que na Europa é considerado fundamentalismo e integralismo, nos Estados Unidos é considerado simplesmente unidade cultural. É o resultado de um protestantismo evangelical que aprecia a ostentação dos ritos religiosos unificadores da nação, que permite a coexistência entre integralismo religioso — em matéria familiar, sexual, educativa e penal — e um liberalismo desenfreado no âmbito econômico e social. Este choque de culturas está acontecendo e nós esperamos que a velha e sábia Europa continue a ser capaz de viver a distinção entre fé e política. E principalmente, esperamos que os cristãos contestem em nome do Evangelho o surgimento de uma religião civil que não sabe mais distinguir César de Deus".


Lutos/1
O falecimento do Patriarca Bidawid
No dia 7 de julho faleceu em Beirute, depois de uma longa doença, o líder dos católicos caldeus iraquianos Raphael I Bidawid, 81 anos, desde 1989, patriarca da Babilônia dos Caldeus.


Lutos/2
O falecimento de monsenhor Majo
Também no dia 7 de julho faleceu o monsenhor Angelo Majo arcipreste do Domo de Milão de 1974 até o ano passado, e que teria completado 77 anos em 2 de agosto. A figura de monsenhor Majo foi lembrada em dois artigos publicados no Avvenire (8 de julho: Milão chora por Majo, uma vida pelo Domo; em 9 de julho: Angelo Majo uma vida dedicada à editoria e à cultura).



Sinal dos tempos/1
A divina surpresa
No dia 6 de julho, Barbara Spinelli escreveu um editorial no jornal La Stampa comentando a provocação e as conseqüentes polêmicas entre o deputado alemão Martin Schulz e o primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi no Parlamento Europeu: "A Itália deveria representar toda a Europa por seis meses: agora se teme que seja isolada, desacreditada, desprezada. Porém não estamos sozinhos e por isso o acontecimento de Estrasburgo não é uma tragédia, mas parece mais uma divina surpresa: algo novo para o qual ainda não estamos preparados. Não há corpos feridos, não há massacres de amor próprio ou de honra nacional, como supõem muitas reações de leitores de jornais. Estamos simplesmente sob o olhar da Europa".


Sinal dos tempos/2
A morte do padre Cremona, o Vaticano e a televisão
No dia 18 de julho, no jornal La Stampa_ o jornalista Filippo Ceccarelli recordava o padre Carlo Cremona, que teve uma morte imprevista em 13 de julho, com estas palavras: "É importante, não apenas para os que crêem, ter olhos e coração em condições de reconhecer aquilo que se define ‘um sinal dos tempos’. Quem sabe se a morte do padre Carlo Cremona, acontecida quase ao vivo durante o programa de televisão "Uno Mattina" na RAI, entre os apresentadores, o escritor Alberto Bevilacqua e uma campeã de voleibol, quem sabe se esta morte tão instantânea e material, tão televisiva pode fazer parte de um novo sinal dos tempos". Depois de ter recordado o padre Cremona, que dedicou "quase a metade de sua vida à RAI", o artigo detêm-se nas relações entre a RAI e o Vaticano concluindo: "E como se pode ver, a relação entre a Igreja e a RAI fez-se desequilibrada e complicada. Mas a novidade, talvez, seja o fato de que se intui que pela primeira vez não pode durar para sempre, e que além de qualquer retórica, a morte do padre Cremona encerra para sempre uma época".


CÚria/1
As contas da Caridade do Papa
No dia 17 de julho a Sala de Imprensa da Santa Sé apresentou um comunicado do Pontifício Conselho Cor Unum, presidido pelo arcebispo alemão Paul Josef Cordes, no qual está ilustrada a atividade do dicastério que administra a chamada Caridade do Papa, em 2002. No total, o Pontifício Conselho distribuiu 5.718.606 dólares e 2.450.225 euros: cerca de 2 milhões de dólares a 49 países para as calamidades naturais ou provocadas pelo homem; quase 2 milhões de dólares a 48 países para saúde, educação, formação e assistência às faixas mais pobres; quase 2 milhões e meio de euros — através da fundação João Paulo II para o Sahel — para 233 projetos de desenvolvimento no Terceiro Mundo (principalmente na África); e quase 2 milhões de dólares — através da Fundação Populorum Progressio — para outros 223 projetos em países pobres (principalmente na América Latina).


CÚria/2
Contas da Santa Sé no vermelho
No dia 10 de julho o cardeal Sergio Sebastiani, presidente da Prefeitura dos Assuntos Econômicos da Santa Sé, apresentou — pela primeira vez em euros — as contas para o balanço de 2002. Pelo segundo ano consecutivo foi registrado um balanço negativo, com uma perda de 13.506.722 euros (216.575.034 de entradas e 230.081.756 de saídas) devido principalmente às perdas em campo financeiro e aos custos das iniciativas mediáticas (L’Osservatore Romano e Rádio Vaticano). Também houve perdas de 16.048.508 euros no balanço do Estado da Cidade do Vaticano, que até o ano passado contava com um balanço positivo ("culpa" das menores entradas e de uma substanciosa contribuição para cobrir parte dos "furos" da Rádio Vaticano). Quanto ao Óbolo de São Pedro, em 2002 foram recolhidos 52.836.693,50 dólares, 1,8% a mais do que no ano precedente.
Uma curiosidade: o balanço da Santa Sé é bem inferior ao de uma nem tão importante diocese americana. De fato, em 26 de junho a arquidiocese da Filadélfia publicou o seu balanço para o ano fiscal de 2002-2003, e, mesmo sendo a sexta diocese mais importante dos Estados Unidos, com um milhão e meio de fiéis, conta com uma movimentação financeira de 334.449.037 dólares.


Anglicanos
O novo bispo gay renuncia
_o dia 6 de julho foi comunicado que o cônego Jeffrey John, que em 20 de maio fora designado bispo anglicano de Reading, recusou o cargo. A designação episcopal de John, declaradamente homossexual com um parceiro há 27 anos, foi motivo de numerosos protestos dentro da Comunhão Anglicana e alguns prelados africanos chegaram a ameaçar o cisma.


Nomeações/1
Benotto bispo de Tivoli, Maniago auxiliar em Florença
No dia 5 de julho, Giovanni Paolo Benotto, 54 anos, nascido na província de Pisa, foi nomeado bispo de Tivoli. Benotto sacerdote desde 1973, até 1980 foi secretário pessoal do arcebispo de Pisa, Benvenuto Matteucci, desde 1993 é vigário-geral de Pisa atualmente dirigida por Alessandro Plotti.
No dia 18 de julho, Claudio Maniago, 44 anos, nascido em Florença, foi nomeado auxiliar do arcebispo de Florença, Ennio Antonelli. Maniago foi ordenado sacerdote em 1984 depois de ter sido aluno do Almo Colégio Caprânica; atualmente leciona Liturgia na Faculdade Teológica da Itália Central; há 12 anos era pró-vigário geral e há dois anos vigário geral da diocese.


Nomeações/2
O ítalo-americano Rigali é o arcebispo da Filadélfia
_o dia 15 de julho, Justin Francis Rigali, que desde 1994 era o arcebispo de Saint Louis, foi nomeado arcebispo da Filadélfia no lugar do cardeal Anthony Joseph Bevilacqua, que completou 80 anos em junho. Rigali, 68 anos, natural de Los Angeles, é sacerdote desde 1961. De 1966 a 1970 trabalhou na nunciatura de Madagascar e de 1970 a 1985 prestou serviços à Secretaria de Estado como responsável pela língua inglesa na I Seção. Em 1985, foi elevado à dignidade arquiepiscopal e nomeado secretário da Congregação para os Bispos, cargo que manteve até 1994, quando foi chamado para guiar a sede metropolitana de Saint Louis no Missouri.
Uma curiosidade: Rigali é de origem ítalo-americana, assim como Bevilacqua, que atualmente é o único cardeal americano com antepassados italianos. "O meu avô paterno, Luigi Rigali", explica o arcebispo à 30Dias, "décimo segundo filho de Santino Rigali e de Carola Luchini, nasceu em 4 de outubro de 1851 em Fornaci de Barga província de Lucca (arquidiocese de Pisa). Foi batizado no dia seguinte na paróquia de Loppia. Emigrou para os Estados Unidos pela primeira vez em 1869. Depois voltou à Itália temporariamente. Mais tarde, casou-se nos Estados Unidos com Charlotte Sweney de origem irlandesa. Minha mãe também era de origem irlandesa".


Nomeações/3
Sacerdote italiano é bispo em Pesqueira
No dia 23 de julho, o italiano Francesco Biasin, 60 anos, da província de Pádua, foi nomeado bispo em Pesqueira, no Brasil. Ordenado sacerdote em 1968, em 1972 freqüentou um curso de espiritualidade sacerdotal junto à Escola sacerdotal dos Focolares, em Frascati (Roma). Depois foi enviado ao Brasil como sacerdote fidei donum. Há pouco tempo retornara à Itália onde era o responsável pelo Departamento Missionário Diocesano da diocese de Pádua.


Diplomacia/1
Novos núncios em Moçambique, Marrocos, Camarões e Honduras
No dia 3 de julho o arcebispo indiano George Panikulam foi nomeado núncio apostólico em Moçambique. Panikulam, 61 anos, sacerdote desde 1967, entrou para a diplomacia pontifícia em 1979, e realizou sua missão no Canadá, Venezuela, Alemanha, Brasil, ONU-Nova York, até que em dezembro de 1999 foi elevado à dignidade arquiepiscopal e nomeado núncio apostólico em Honduras.
No dia 17 de julho o arcebispo italiano da Calábria, Antonio Sozzo, 61 anos, foi nomeado núncio em Marrocos assumindo o lugar do arcebispo Domenico De Lucca que teve aceita a sua renúncia por limite de idade (75 anos em janeiro). Sozzo foi ordenado sacerdote em 1971 na diocese de Verona, e entrou para a diplomacia pontifícia em 1976, prestando serviços no Panamá, Uruguai, Nigéria, Chile, Alemanha, Marrocos, Bélgica e Espanha. Em 1995 foi promovido a arcebispo e núncio na Argélia e Tunísia; e desde 1998 era núncio na Costa Rica.
Também no dia 17 o novo arcebispo Eliseu Antonio Ariotti_foi nomeado núncio em Camarões. Ariotti, 55 anos, nasceu na província de Cremona, foi ordenado sacerdote em 1975 no famoso santuário mariano de Caravaggio, em 1984 entrou para a diplomacia vaticana. Prestou serviços em Uganda, Síria, Malta, Estados Unidos, na II Seção da Secretaria de Estado, na Espanha e nos últimos três anos na França.
Em 18 de julho o novo arcebispo Antonio Arcari, 50 anos, natural de Brescia foi nomeado núncio apostólico em Honduras. Sacerdote desde 1977, Arcari entrou para a diplomacia vaticana em 1982 e prestou serviços nas nunciaturas da República Centro-africana, dos Estados Unidos, da Bolívia, da Irlanda, da Croácia, da Albânia e, por último, do Peru.


Diplomacia/2
Novos Embaixadores da Coréia (com discurso em latim) e do Chipre
No dia 4 de julho o novo embaixador da Coréia do Sul junto à Santa Sé apresentou suas cartas credenciais, trata-se de Bosco Seong Youm. Youm, 61 anos, professor universitário, desde 1996 era diretor do Instituto coreano de estudos grego-romanos. Portanto não é um acaso que tenha preparado suas cartas credenciais em latim, língua que ele aprofundou com um doutorado em Literatura clássica obtido em 1986 junto à Pontifícia Universidade Salesiana. Youm é também autor de vários manuais para o estudo do latim, e começou a organizar com a colaboração da editora dos beneditinos coreanos, a edição bilíngue com texto em latim e comentários de algumas obras de Santo Agostinho. Já foram publicadas o De libero arbitrio, o De vera religione e o De doctrina christiana, enquanto que para o fim do ano está previsto o lançamento do De civitate Dei.
No dia 5 de julho foi a vez do novo embaixador de Chipre, Georgios F. Poulides, 57 anos, diplomata de carreira, ex-cônsul em Gênova e embaixador junto à FAO. Poulides é o primeiro representante de Nicosia que reside em Roma.


Universidade/1
Padre Toso reitor da UPS
No dia 7 de julho foi anunciada a nomeação do padre Mario Toso, 53 anos, vêneto, professor de Filosofia Teorética, a reitor para o próximo triênio da Universidade Pontifícia Salesiana (UPS). Toso, ex-diretor e decano da Faculdade de Filosofia (1994-2000), é estudioso da doutrina social da Igreja e consultor do Pontifício Conselho Justiça e Paz.


Universidade/2
Pádua: o futuro da tradição
Este é o título de um artigo dedicado à Universidade de Pádua publicado no La Repubblica de 12 de julho. O artigo faz parte de um amplo dossiê sobre as universidades italianas, no qual são feitas várias classificações. A de Pádua está em primeiro lugar entre as grandes universidades italianas.


Kafka
A luz messiânica faz parecer tudo mais simples
"Segundo uma tradição, a chegada do Messias causaria apenas algumas pequenas mudanças. Assim a luz messiânica, quando se expande, deixa tudo no seu lugar. Faz apenas com que tudo pareça ‘mais tranqüilo e mais simples’. Finalmente ‘não havia nenhum detalhe que chamasse atenção’". Conclusão de um artigo de Roberto Calasso sobre um trecho cancelado do célebre Processo de Kafka (Corriere della Sera, 1� de julho).


Livros/1
Livro de Gianpaolo Romanato sobre Daniel Comboni
Em outubro será canonizado o beato Daniel Comboni, missionário de grande figura em terras africanas, graças também a um milagre recebido por uma muçulmana praticante do Sudão, através da sua intercessão (cf. 30Dias n�4, abril de 2003, págs. 56-59). E justamente à figura do sacerdote de Verona beatificado em 1997 é dedicado o último livro de Gianpaolo Romanato, professor de História da Igreja Moderna e Contemporânea na Universidade de Pádua. O livro L’Africa nera fra cristianesimo e islam. L’esperienza di Daniele Comboni, foi publicado na Coletânea Histórica dirigida por Sergio Romano, edições Corbaccio. O lançamento é para o dia 5 de setembro.


Livros/2
Organizações Jovens Católicas em livro de Francesco Piva
Nas páginas literárias do jornal La Stampa2de 12 de julho foi publicada uma crítica ao livro "La gioventù cattolica in cammino...". Memoria e storia del gruppo dirigente (1946-1954), no qual Francesco Piva, professor de História contemporânea na Universidade de Tor Vergata em Roma, reconstitui os acontecimentos internos das organizações jovens católicas nos anos de 1946-1954, entre os quais a demissão em bloco de 22 dirigentes das Giac (Gioventù Italiana di Azione Cattolica), que polemizava com a rigidez com a qual Luigi Gedda guiava a Ação Católica. No livro é apresentado um episódio no qual o então monsenhor Montini (futuro Paulo VI) foi protagonista, no qual "de modo reservado entregou um cheque aos rebeldes para que decidam suas vidas ‘com calma e ponderação’".




DIPLOMACIA PONTIFÍCIA

O Enchiridion dei Concordati da editora Dehoniane


A capa do Enchiridion dei Concordati

A capa do Enchiridion dei Concordati







A editora Dehoniane, de Bolonha, publicou um interessante livro, particularmente precioso para os estudiosos e apaixonados pela diplomacia pontifícia. Trata-se do Enchiridion dei Concordati. Due secoli di storia dei rapporti Chiesa-Statoè que apresenta em ordem cronológica o texto original – acompanhado pela versão italiana – de todos os acordos concluídos pela Santa Sé com os Estados nos últimos dois séculos, a partir do acordo entre Pio VII e Napoleão Bonaparte.
ýo prefácio o cardeal Secretário de Estado, Angelo Sodano, parabeniza os promotores da iniciativa e espera “que a nova obra contribua para que se conheça melhor o empenho da Santa Sé em promover novos caminhos de colaboração com as autoridades civis, dando assim a César o que é de César e também pedindo a César para dar a Deus o que é de Deus”.
O livro oferece em particular todos os textos dos recentes acordos estipulados entre a Santa Sé e os Estados da Europa central e oriental que depois de 1990 renasceram para a liberdade. Inclui também o acordo estipulado com a República Tcheca em julho de 2002, mas que em 21 de maio deste ano o Parlamento de Praga rejeitou com 110 votos contrários sobre 177 deputados presentes.





SACRO COLÉGIO

Os 100 anos do Cardeal Bafile


João Paulo II e o cardeal Bafile em 4 de julho

João Paulo II e o cardeal Bafile em 4 de julho

No dia 4 de julho foram feitas grandes festas na Cúria Romana pelos 100 anos do cardeal Corrado Bafile. O purpurado, junto com seus familiares, foi recebido em audiência especial pelo Papa na Sala Clementina do Palácio Apostólico. Participaram ao evento numerosos cardeais e arcebispos. Depois do discurso do Papa e da saudação de Bafile houve uma grande recepção. À tarde foi celebrada uma missa em sua honra na igreja de São Lourenço in Piscibus, adjacente ao Vaticano. O L’Osservatore Romano deu ampla cobertura ao acontecimento, antecipando a apresentação que Francesco Di Felice (subsecretário do Pontifício Conselho para a Família e assistente do Sodalício para os "Abruzzesi" San Camillo de’Lellis do qual o cardeal é o patrono) escreveu para o livro que realizou dedicado ao cardeal: Il cardinale Bafile nel centesimo genetliaco (Libreria Editrice Vaticana).
Com efeito, completar 100 anos é um evento raro mesmo dentro do Sacro Colégio. Consultando várias publicações e o informado site organizado na Flórida por Salvador Miranda, parece que pelo menos nos últimos três séculos nenhum cardeal tenha alcançado esta idade.
Entre os 611 cardeais nomeados no século XX, os que tiveram vida mais longa foram: o chinês Ignatius Gong Pin-mei, falecido em março de 2000 com 98 anos e sete meses; o jesuíta italiano Paolo Dezza, falecido em dezembro de 1999, quatro dias depois de ter completado 98 anos; o franciscano toscano Ferdinando Giuseppe Antonelli, falecido em julho de 1993 dois dias antes de completar 97 anos; o napolitano Gennaro Granito Pignatelli di Belmonte, falecido em fevereiro de 1948 aos 96 anos e dez meses depois de 37 anos de cardinalato; o português José da Costa Nunes, último Patriarca das Índias Orientais, morto em 1976 com 96 anos e oito meses; o curial italiano Francesco Morano, morto em julho de 1968 com 96 anos; o célebre teólogo jesuíta francês Henri-Marie de Lubac, falecido em 1991 com 95 anos e seis meses e o curial romano Alberto Di Jorio, falecido em setembro de 1979 com 95 anos e dois meses.
Com relação aos 475 cardeais nomeados no século XIX, o que teve a vida mais longa parece ter sido o francês Jean Baptist de Belloy-Morangle, que foi também o inventor do filtro para as pequenas cafeteiras e que faleceu em junho de 1808 aos 98 anos e oito meses, depois de ter sido nomeado, com mais de 90 anos, arcebispo de Paris em 1802 e criado cardeal um ano depois por Pio VII.
Já no século XVIII, o cardeal com a vida mais longa entre os 343 purpurados criados parece ter sido o napolitano Francesco Carafa di Traetto, nomeado cardeal em 1773 por Clemente XIV e falecido em setembro de 1818 com 96 anos e cinco meses.
Atualmente o Sacro Colégio conta com nove cardeais com mais de 90 anos: Além de Corrado Bafile os outros cardeais são: o austríaco Franz König, 98 anos em 2 de agosto; o holandês Johannes Willebrands, 94 anos em 4 de setembro; o italiano Opilio Rossi, 93 anos em 14 de maio; o salesiano austríaco Alfons Maria Stickler, 93 anos em 23 de agosto; o jesuíta polonês Adam Kozlowiecki, 92 anos em 1 de abril; o beneditino alemão Paul Augustin Mayer, 92 anos em 23 de maio; o canadense Louis-Albert Vachon, 91 anos em 4 de fevereiro; o argentino Juan Carlos Aramburu, 91 anos em 11 de fevereiro.




L’OSSERVATORE ROMANO

As fotos sem respeito ao que está prescrito pelo direito internacional com relação aos vencidos


A primeira página do Osservatore de 26 de julho

A primeira página do Osservatore de 26 de julho

“’Mal sem nome’. Assim Giorgio La Pira definiu a guerra porque na maior parte dos casos coloca a risco a pessoa humana e a civilização. Ontem sem respeito ao que está prescrito pelo direito internacional com relação aos vencidos foram publicadas as fotosÝdos cadáveres desfigurados dos dois filhos de Saddam Hussein, Uday e Qusay, mortos terça-feira em Mossul durante um ataque dos militares americanos”. Este é o início evidenciado do principal artigo de primeira página do L’Osservatore Romano de 26 de julho. Título e chamadas: Mais uma vez a trágica face da guerra. “As autoridades americanas difundem as fotos dos cadáveres dos dois filhos de Saddam Hussein”.





COMUNIDADES JUDAICAS

Um messianismo para a esperança não para o fundamentalismo


Amos Luzzatto

Amos Luzzatto

“Chegou o momento da escolha entre um messianismo que mantenha viva a esperança, que estimule os judeus motivando cotidianamente seus esforços e sacrifícios, assim como a edificação de uma cultura adequada para uma sociedade melhor – não a melhor que a fantasia utopista possa imaginar – e um messianismo que seja apenas uma cobertura para uma política intransigente, que encontra seus melhores aliados entre os fundamentalistas do mundo árabe-islâmico, dos quais são a imagem especular”. Palavras de Amos Luzzatto, presidente da União das Comunidades Judaicas italianas, publicadas no Avvenire de 4 de julho.





L’OSSERVATORE ROMANO

“Reprima-se a avidez dos que aspiram às mitras episcopais


Um bispo dirige o saque de uma igreja, miniatura  extraída do Decretum Gratiani

Um bispo dirige o saque de uma igreja, miniatura extraída do Decretum Gratiani

No dia 16 de julho o L’Osservatore Romano publicou uma grande recensão, escrita por Felice Accrocca, sobre os primeiros tomos da Opera omnia de São Pier Damiani (1007-1072), organizados por Guido Innocenzo Gargano e Nicolangelo D’Acunto, publicado pela editora Città Nuova (Lettere [1-21], 1/1, Roma 2000; Lettere [22-40], 1/2, Roma 2001; Lettere [41-67], 1/3, Roma 2002). Título da recensão: Do convento de Fonte Avellana um convite para Gregório VI: “Reprima-se a avidez dos que aspiram às mitras episcopais”.



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