Rubriche
Extraído do número08/09 - 2010
Curtas de 30Dias
SHIMON PERES
“À Sua Santidade Papa Bento XVI, o Pastor que procura conduzir-nos aos campos das bênçãos e aos campos da paz”
![Bento XVI e Shimon Peres [© Associated Press/La Presse]](upload/articoli_immagini_interne/1291132118308.jpg)
Bento XVI e Shimon Peres [© Associated Press/La Presse]
DIONIGI TETTAMANZI
Newman e a Igreja ambrosiana
![A beatificação de John Henry Newman [© Associated Press/La Presse]](upload/articoli_immagini_interne/1291132187840.jpg)
A beatificação de John Henry Newman [© Associated Press/La Presse]
GAD LERNER
O judaísmo e a mesquita em Ground Zero

IMoisés recebe as tábuas da Lei/I, Marc Chagall

Pio X
Pio X: a eucaristia, não prêmio, mas remédio à humana fragilidade
Dia 8 de agosto passado o historiador Gianpaolo Romanato assinou um artigo, no L’Osservatore Romano sobre os documentos do Papa Pio X relacionados à comunhão eucarística. Apresentamos um trecho: “É necessário recordar que uma mentalidade enraizada de origem jansenista tinha desaconselhado os cristãos à assídua prática eucarística, como se fosse quase a coroação do caminho rumo à perfeição cristã, antes que um caminho para a alcançar, ‘um prêmio e não um remédio à humana fragilidade’ escreverá o Papa. Com a intuição daquele grande pastor de almas que foi e continuou a ser durante o pontificado, Pio X rompeu as hesitações, medos e perplexidades, ainda muito difundidos entre os teólogos, ao contrário promovendo e encorajando, com o decreto Tridentina synodus de 16 de Julho de 1905, a prática oposta: a comunhão com frequência, mesmo quotidiana. Cinco anos depois, com o decreto Quam singulari – do qual, como já recordamos, celebramos o centenário da publicação – completou o projeto global de reforma do cuidado das almas prescrevendo a antecipação da primeira comunhão das crianças por volta dos sete anos de idade, isto é, para usar as suas palavras, ‘quando a criança começa a raciocinar’. Com essas duas medidas foi superada e posta de lado uma cultura secular rigorista para voltar a uma prática já em vigor nos primeiros séculos cristãos e sucessivamente sublinhada, quer pelo concílio Lateranense IV em 1215, quer pelos decretos do concílio de Trento [...]. Pietro Gasparri, que naqueles anos trabalhava por ordem do Papa na codificação do direito canônico, colocou este decreto entre os atos ‘memorandi’ do pontificado, e acrescentou: ‘Deus queira que seja observado em todos os lugares’”.
Igreja/2
Dickens e a imprevisível homenagem a São Carlos Borromeu
“Toda homenagem cristã ao santo que aqui repousa!”. É a exclamação do célebre escritor inglês Charles Dickens em visita ao Domo de Milão, que assim continua: “No calendário há muitos santos bons e verdadeiros, mas São Carlos Borromeu [em italiano no texto de Dickens] [...] conta com ‘todo meu afeto’. Como médico caridoso para com os doentes, como amigo generoso dos pobres, e isso sem um cego fanatismo, mas como entusiasta opositor dos enormes abusos dela (Igreja papista), eu honro a sua memória. E não a honro menos, porque ele foi quase massacrado por um padre instigado por outros padres a assassiná-lo no altar, em troca dos seus esforços, para reformar uma confraria de monges falsos e hipócritas. Que o bom Deus proteja todos os imitadores de São Carlos Borromeu como protegeu ele! Até mesmo nos nossos tempos um Papa reformador teria necessidade de um pouco de proteção”. Esta homenagem de Dickens ao arcebispo de Milão (presente em Impressioni d’Italia, Carabba, Lanciano 2004) foi publicada no L’Osservatore Romano de 12 de agosto passado em um artigo intitulado: Imprevisível Dickens fascinado pelo bispo milanês.
Cultura
As perversões das finanças e os sacrifícios humanos
“Porém a pergunta permanece, é o verdadeiro centro da questão. É-nos dito pelo prêmio Nobel Paul Krugman no New York Times de 21 de agosto: ‘Os que ditam ao mundo a política econômica – banqueiros, financistas, ministros, pressupostos defensores das grandes virtudes fiscais – comportam-se como os sacerdotes de obscuros cultos antigos, e pedem, a cada transformação, a cada evento que chamam ‘mudança’, sacrifícios humanos, como para aplacar a fúria de um Deus invisível’. De outro modo, pergunta-se o prêmio Nobel para a Economia de 2008, ‘como explicar que quase tudo o que estes sacerdotes impõem leva a intermináveis cortes nos balanços, ao aumento do desemprego, à queda da Bolsa, à pessoas atordoadas por novas renúncias – como perda da casa, da escola, do trabalho – que não trazem frutos? Por isso eu pergunto: quando terminaremos de fazer sacrifícios humanos ao Deus de uma elite de pressupostos especialistas que está destruindo o mundo e nos dedicaremos a curar a economia?’. Faço minha esta pergunta”. Escrito por Furio Colombo no il Fatto Quotidiano de 29 de agosto de 2010.