OS DIAS DO PAPA NO HOSPITAL...
Extraído do número 01/02 - 2005
“Ergui os meus olhos banhados em lágrimas para o Papa...”

Teresa de Lisieux
“Depois da missa de ação de graçasque se seguiu à de Sua Santidade, começou a audiência. Leão XIII estava sentadonum cadeirão. Estava vestido simplesmente com uma sotaina branca, com uma mursada mesma cor, e na cabeça tinha apenas um pequeno solidéu. À volta dele estavamos cardeais, arcebispos e bispos, mas só os vi em geral, pois estavaconcentrada no Santo Padre. Passamos diante dele em procissão. Cada peregrinoajoelhava-se, ao chegar a sua vez, beijava o pé e a mão de Leão XIII, recebia asua bênção e dois guardas nobres tocavam-lhe, por cerimônia, indicando-lhe comisso que devia levantar-se (ao peregrino, pois explico-me tão mal que sepoderia pensar que era ao Papa). Antes de entrar no apartamento pontifício,estava bem resolvida a falar, mas senti a coragem esmorecer, ao ver à direitado Santo Padre “o Sr. P. Révérony!...”. Quase no mesmo instante, disseram-nosda sua parte que proibia que se falasse a Leão XIII, pois a audiênciaprolongar-se-ia demasiado... Voltei-me para a minha querida Celina, para sabera opinião dela. “Fala!”, disse-me. Um instante depois, estava aos pés do SantoPadre tendo-lhe beijado o sapato, ele estendeu-me a mão, mas , em vez de abeijar, juntei as minhas e, erguendo para o seu rosto o meus olhos banhados emlágrimas, exclamei: “Santíssimo Padre, tenho uma grande graça a pedir-vos!...”.Então o Soberano Pontífice inclinou a cabeça para mim, de maneira que a minhacara quase tocava na sua, e vi fixarem-se em mim seus olhos negros e profundos,parecendo penetrarem até ao íntimo da alma. – “Santíssimo Padre, - disse-lhe –em honra do vosso jubileu, permiti-me entrar para o Carmelo aos 15 anos!...”.