ÁFRICA
Extraído do número 11 - 2004
Annalena Tonelli: uma cristã entre os somali
de Davide Malacaria

Annalena Tonelli
Mas não há só a assistência aospobres. Em 1984 as autoridades do Quênia tentam exterminar uma tribo do deserto.As suas denúncias públicas impedem o genocídio. Por isso, é detida e levadadiante da corte marcial, onde as autoridades, todas cristãs, revelam-lhe queescapara de duas emboscadas, mas que na próxima...
Depois um deles, um cristãopraticante perguntou-me o que me levava a agir deste modo. Respondi-lhe quefazia isso por Jesus Cristo que pede nossa vida por nossos amigos”.
É difícil enumerar as boas obras quenasceram das suas mãos, fora e dentro da Somália, também graças às muitascompanhias de caminho que o Senhor colocou na sua estrada. Como a escolaespecial de Borama, nascida da visita de um seu ex-aluno que veio do Quênia àSomália para confidenciar-lhe os seus sofrimentos de amor e que logo se colocouao seu lado para criar uma escola para surdo-mudos que, logo depois, acolheriatambém crianças com deficiências físicas. Um centro educacional tão apreciadoque, conta, alguns intelectuais e alguns ricos vieram nos suplicar para queacolhêssemos seus filhos”. Etambém as campanhas para a remoção da cataratas que entre os somali são causade cegueira. Mas principalmente o centro Tb Center de Borama, em Somaliland,que cuida e cura milhares de doentes. Um centro ao redor do qual floresce detudo, inclusive uma escola de Alcorão para os seus muçulmanos. No seutestemunho no Vaticano, Annalena Tonelli disse: “Os pequenos, os sem voz, osque não contam nada aos olhos do mundo, mas tanto aos olhos de Deus, os Seus prediletos, precisam de nós, enós devemos viver para eles e com eles, e não importa nada se a nossa ação écomo uma gota d’água no oceano. Jesus Cristo não falou de resultados. Ele falouapenas de amar-nos, lavar-nos os pés um dos outros, perdoar-nos sempre”. No dia5 de outubro de 2003 foi morta em Borama. À noite, quando voltava para sua casa,com um tiro de pistola na cabeça. Uma execução com pontos misteriosos. NaSomália não havia sacerdotes e portanto tinha poucas ocasiões de participar deuma missa. Assim, à noite fazia adoração da Hóstia consagrada, “Fui eu quemconsagrou-a pela última vez”, conta o Bispo de Djibuti, Giorgio Bertin, que àsvezes celebrava a missa para Annalena, “um mês e meio antes da sua morte” Noseu testemunho Annalena dizia: “A Eucaristia nos diz que a nossa religião éinútil sem o sacramento da misericórdia, que é na misericórdia que o céuencontra a terra”.