DEBATE
Extraído do número 10 - 2004
Cristãos e “cristianistas”
A civilização da Europa cristã foi construída por gente cujo objetivo não era de forma alguma construir uma “civilização cristã”. Nós a devemos a pessoas que acreditavam em Cristo, não a pessoas que acreditavam no cristianismo. Entrevista com Rémi Brague
de Gianni Valente

A Catedral de Chartres. Cenas da vida de Jesus ilustradas nos vitrais da Catedral de Chartres, França (século XII-XIII); embaixo, Jesus e os três apóstolos prediletos

Ser “secundários” significa saber que o que se transmite não provém de si mesmos, e que só é possuído de maneira frágil e provisória. Isso implica, entre outras coisas, que nenhuma construção histórica tem nada de definitivo. Deve ser sempre revista, corrigida, reformada

Jesus ressuscitado e Maria Madalena
Cristo não veio para construir uma civilização, mas para salvar os homens de todas as civilizações. A chamada “civilização cristã” nada mais é que o conjunto dos efeitos colaterais que a fé em Cristo produziu sobre as civilizações que se encontravam em seu caminho. Quando se acredita na Sua ressurreição, e na possibilidade da ressurreição de cada homem nEle, vê-se tudo de maneira diferente e se age em conseqüência disso, em todos os campos

As três Marias no Sepulcro
Temos o direito de fazer da fé um instrumento? Eu me pergunto também se é sempre justo falar de cristianismo. O sufixo pode ser percebido, erradamente, como designante de uma teoria, como outros “ismos”: liberalismo, marxismo, etc. Santo Agostinho diz em algum lugar: o que existe de cristão entre os cristãos é Cristo. Ser cristãos é estar em contato com uma pessoa. Ora, não se pode transformar uma pessoa num instrumento