EDITORIAL
Extraído do número 10 - 2004
Mitterrand
Giulio Andreotti

O presidente Mitterrand
Que o presidente Mitterrand fosse reeleito para um segundo septuênio era uma idéia que não desagradava a muitos franceses (com exceção de alguns candidatos à sucessão como Michel Rocard) e ainda mais a nós, estrangeiros, que apreciávamos muito sua franqueza e seu estilo
No decisivo semestre da presidênciaitaliana, às vésperas da Conferência de Maastricht, a senhora Thatcher, que eracontrária à mesma conferência, fora ao Palácio Farnese (embaixada da França emRoma) para convencer Mitterrand da sua tese. Mas não conseguiu e na sessão, aoficar isolada, teve que se render. Nas suas memórias escreveu de modo inexatoque nós italianos tínhamos mudado a ordem do dia. Paciência. Em outra ocasião,a própria Thatcher pretendia que os outros aderissem aos seus pedidos e issoprovocou a reação muito decidida de Mitterrand (e de Kohl).

François Mitterrand com João Paulo II no aeroporto de Tarbes em agosto de 1983; Membros do Conselho Europeu, reunidos em sessão especial em Roma para finalizar a preparação das duas conferências intergovernamentais, uma sobre a União Econômica e Monetária e outra sobre aspectos da União Política em outubro de 1990
Enfim, as conversas com Mitterrand, mesmo fora das reuniões formais, eram de grande interesse. Sempre foi muito dedicado à questão palestina, considerando-a o centro de todos os problemas. Mas também colocava perguntas imprevistas, como, por exemplo, se estávamos empenhados, depois do polonês, em reobter um papa italiano. Havia um ponto do nosso sistema político que apreciava particularmente: o status de senador vitalício dos ex-presidentes da República