ÁFRICA
Extraído do número 07 - 2003
A homilia do Papa Montini por ocasião da elevação aos altares dos Mártires ugandenses
Paulo VI e a memória dos mártires africanos
de Davide Malacaria

Papa Paulo VI em Namugongo, 2 de agosto de 1969
“Estes mártires africanos acrescentam à lista dos vitoriosos, como é o martirológio, uma página trágica e magnífica, realmente digna de ser acrescentada às maravilhosas já existentes da África antiga, que nós modernos, homens de pouca fé, pensávamos que jamais pudessem ter um segmento tão digno. Quem poderia supor, por exemplo, que às comovedoras histórias dos mártires xilitanos, dos mártires cártagineses, dos mártires da “Massa Candida” uticense dos quais Santo Agostinho e Prudêncio nos deixaram memória, dos mártires do Egito, dos quais conservamos o elogio de São João Crisóstomo, dos mártires da perseguição vandálica, poderiam ser acrescentadas novas histórias não menos heróicas, não menos fulgurantes, dos nossos tempos? Quem poderia prever que às grandes figuras históricas dos santos mártires e confessores africanos, como Cipriano, Felicitas e Perpétua e o sumo Agostinho teríamos um dia associado os caros nomes de Carlos Lwanga e de Matias Mulumba Kalemba, com seus vinte companheiros? E não podemos esquecer também os outros que, pertencendo à confissão anglicana, enfrentaram a morte em nome de Cristo.
Esses mártires africanos abrem uma nova época; oh! não queremos pensar em perseguições e contrastes religiosos, mas de regeneração cristã e civil. Que a África, banhada pelo sangue destes mártires, antes da era nova (oh, queira Deus que sejam os últimos, tão grande e precioso é o seu holocausto!), ressurja livre e redimida. A tragédia, que os devorou, é tão inaudita e expressiva, a ponto de oferecer elementos representativos suficientes para a formação moral de um povo novo, para a fundação de uma nova tradição espiritual, para simbolizar e para promover o traspasso, de uma civilização primitiva, não privada de ótimos valores humanos, mas poluída e enferma e quase escrava de si mesma, a uma civilização aberta às expressões superiores do espírito e às formas superiores da sociedade”.